ReviewReviewReviewReviewReviewMemórias InventadasOct 24, '05 7:28 AM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Manoel de Barros
Poesias de Manoel de Barros não precisam ser explicadas... Este livro conta ainda com as lindas iluminuras de Martha Barros. Eis uma das poesias:

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


kafornari wrote on Jan 14, '06
Sei que esta poesia dispensa explicação, mas é merecedora de um aplauso extasiado, fazia muito tempo que eu procurava algo assim para colocar em "imagens" o desacelerar da vida.

Morar em uma cidade grande me fez acelerar a percepção que tenho do mundo e da minha vida, mas toda vez q viajo percebo o quanto estou perdendo, e esta poesia, fez exatamente isso agora, em minutos viajei e resgatei, para minha felicidade, esta sensação de que a cada segundo temos todo o tempo do mundo.

Fico muito feliz por ter te encontrado hoje no multiply. Tenha um dia tão maravilhoso quanto o que vc me proporcionou com sua escolha feliz.
anaparga wrote on Jan 14, '06
Lili, também gosto do Manoel de Barros (você já deve ter visto no meu site). Mas esta eu não conhecia, e acho que, como sempre, ele encontra simples e belas palavras para expressar um sentimento do mundo que coincide muito com o meu. Beijos da nalú
lilioli wrote on Jan 14, '06
Oi Karen, que bom que você sentiu emoção igual à minha ao ler esta poesia do Manoel de Barros. Brevemente, colocarei outra. Aguarde!
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